O Maior de Todos!
Soberanos,
Dhyego Souza escreve neste Blog às Segundas e Quartas. Excepcionalmente hoje, a coluna vai ao ar em data diferenciada!
Créditos da imagem: Divulgação
Há coisas na vida que são
inesquecíveis. Que passam de geração para geração. E assim é o Tri
Campeonato Mundial e meu amor pelo São Paulo F.C.
Na época, tinha 15 anos recém completados, a ansiedade era imensa. Na
véspera jogo diante do Al-Ittihad, pelas semifinais, passei a madrugada
acordado de tanta apreensão e com medo de perder o horário da partida.
Todos acreditavam em uma fácil classificação do Tricolor, mas eu estava
receoso. Já imaginou ser eliminado por um azarão? Em jogo único tudo
pode acontecer, e esse temor passava pela minha cabeça.
O São Paulo abriu o placar, e dava mostras de que não teria dificuldade
para obter a vaga para a decisão, até que sofreu o gol de empate.
Fiquei em total desespero, imaginando que aquele meu pensamento de “cair
para o azarão” se confirmaria. No entanto a equipe conseguiu ampliar o
placar para 3x1 na segunda etapa. No fim ainda sofreu o segundo gol, mas
nada que atrapalhasse a classificação.
No dia seguinte, o Liverpool, em disputa pela outra vaga na final,
venceu o Deportivo Saprissa por 3x0, completando 11 jogos sem sofrer
gols.
Meus amigos, torcedores de clubes
rivais, diziam: "Sofreram para ganhar daquele timinho, enquanto o
Liverpool atropelou. Coitados, vocês vão tomar de seis na final."
Rebati, discuti... Não apenas por ser torcedor, mas por saber que o São
Paulo seria campeão. Apesar das dificuldades na semi, aquele elenco do
Tricolor era guerreiro, vibrante, unido. Totalmente focado. E em uma
decisão deste porte, isso pesa demais!
Chegou sábado, véspera do grande confronto, e novamente passei a
madrugada em claro, apreensivo, nervoso, inquieto. Rezando para o tempo
passar rapidamente. Mas parecia que o relógio andava para trás.
Cerca de meia hora antes da partida fui para a casa do meu pai assistir
ao jogo. Foi ele que, indiretamente (ou diretamente?) fez com que eu me
tornasse tricolor. Foi com ele que chorei pelo São Paulo. Foi com ele
que aprendi o que significava torcer pelo Mais Querido.
Chegando a casa dele, a bola havia acabado de rolar. Perdi o início, a
entoação dos hinos e a entrada dos atletas. Pensei: "ora, passei a
madrugada em claro para não perder NENHUM detalhe". Mas perdi.
No entanto, não perdi o maior dos DETALHES daquele memorável jogo.
Passe de Fabão, ajeitada "desajeitada" de Aloísio e lançamento preciso
para Mineiro. Toque sutil na saída de Reina. Gol do São Paulo. Gol de
Mineiro. Gol para quebrar uma sequência de mais de MIL minutos dos
ingleses sem sofrer um tento sequer. Aquele gol significava os
pequeninos do Morumbi derrubando os gigantes do Liverpool.
A sequência do jogo foi tensa. O Liverpool pressionou. Atacou de todas
as maneiras. A cada bola levantada na área era um total desespero. Meu
pai caminhava pela sala, como se, em movimento, passasse energia aos
atletas. Eu olhava e pensava: "ele viu isso duas vezes, tem quase 40
anos, e está assim ansioso. Eu preciso viver isso também."
Quando o treinador dos “Reds”, Rafa Benítez, colocou Peter Crouch em
campo, fiquei desesperado. Ao atacante passar ao lado de Diego Lugano,
notei que o nosso zagueiro batia no ombro do inglês. A diferença de
altura era imensa e a bola aérea seria um sufoco para o Clube da Fé!
Após três gols anulados (de forma correta) e defesas fantásticas de
Rogério Ceni, o Liverpool teve sua ultima chance, mas arrematou para
fora. Era tiro de meta. Rogério Ceni pegou a bola, e ali eu sabia que
seria o último toque na bola do maior ídolo da história do clube da
minha vida com apenas duas estrelas vermelhas no peito.
Ele cobrou, e com a bola viajando, no ar, o
juiz apitou. E, assim como a bola, eu também fui para o ar. Pulei,
gritei, festejei... É uma emoção inenarrável.
Desesperado, meu pai gritava, mas era um grito diferente, um grito
quase sem voz, um grito que nunca havia ouvido antes. Era um grito de
Tri Campeão do Mundo. Era algo unanime no país. Era a terceira estrela
vermelha, conquistada com bravura por um time guerreiro. Era a prova da
soberania Tricolor!
Meu pai me abraçou,
tão forte, mais tão forte, que parecia a última vez. E ao meu abraçar
disse: "Eu te amo. Nós somos Tri Campeões do Mundo. Só o São Paulo e
mais ninguém. Se eu morrer hoje, morro feliz. Feliz por saber que você
já viu o São Paulo levantar uma Libertadores e um Mundial. Sempre quis
ver um filho meu poder acompanhar isso. Pensava nisso em 1992 e 1993, e
agora aconteceu."
Ali ficamos, por mais
de cinco minutos, abraçados. Como se o mundo tivesse parado. E pensando
bem, parou... Parou para eu e meu pai, parou para toda a nação Tricolor
e parou para que todos pudessem ver o São Paulo deixar de ser apenas um
grande clube, para tornar-se O Maior de Todos!
Saudações Tricolores!
- Twitter: https://twitter.com/#!/dhyegosouza - @Dhyegosouza – Sigo os Soberanos de volta!
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Dhyego Souza escreve neste Blog às Segundas e Quartas. Excepcionalmente hoje, a coluna vai ao ar em data diferenciada!
Créditos da imagem: Divulgação
Vídeo: Youtube


Muito bom o texto. Tu escreve hem cara!
ResponderExcluirGostei demais
Parabéns pelo texto! Bom como sempre
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