Leão “O Guardião do Acaso”

Calma, sem querer ser o corvo bisonho que torce contra! Longe disso! Já não somos mais um bando de indolentes, temos poder de reação e uma certa desordenada raça. Desordenada raça , pois essa mostrada na quinta diante da Ponte, flerta com o destempero, com o descontrole, e já temos experiência suficinte para não confundir raça, atitude e determinação com nervosismo e afobação. Mas será que sabemos mesmo, dosar essa raça? Aquela raça Sãopaulina de Lugano, Roberto Dias, Pedro Rocha, Chicão, Waldir Perez, Josué e Mineiro, Oscar e Dario, Toninho Cerezo, e Rogério Ceni? Os jogadores têm se desdobrado dentro de campo para mostrar essa postura.

Há tempos a torcida comparece e faz seu papel. O que falta? A verdadeira leitura é que o SPFC passou pela competente e bem posicionada Ponte do Gílson Kleina, com extrema dificuldade, e acima de tudo expondo fragilidade e os mesmos erros que pesam muito num time que quer ser campeão. A Ponte colocou-se taticamente melhor que o SPFC. Ou seja, ao enfrentar um adversário bem postado, que chega sabendo o que fazer, o SPFC espana e gira em torno de si mesmo. E neste momento é que a individualidade prevalece e dependendo da temperatura do jogo, a mesma joga contra tudo e todos, e ninguém se entende. Por essa razão nosso pífio retrospecto frente a adversários fortes, como nos clássicos, e em partidas decisivas, mesmo com adversários mais fracos.

 Três exemplos recentes de constatação: Linense onde estava em jogo um importante recorde de vitórias para a história do clube e a escolha do melhor caminho para finais do paulista; Santos, clássico mal projetado, onde o melhor time da AL deveria ser evitado até o último momento; Ponte, onde o time passou de fase, mas se mostrou frágil, afobado e extremamente nervoso. Esse embate de quartas de final da Copa do Brasil foi cercado de muita polêmica acerca do afastamento do zagueiro Paulo Miranda. Não vejo motivo para relacionar esse evento ao fraco desempenho na partida de Campinas. Se fosse um grupo fechado, bem orientado, enxergaria a dificuldade, mas dentro de campo resolveria a peleja. Porém, diante de tanta falta de preparação, padrão tático e até mesmo, entrosamento, o episódio se transformou numa polêmica e foi usado como desculpa à falta de superioridade e incompetência frente ao adversário, ou seja, menosprezaram o que a Ponte poderia fazer.

 Quem vê e ouve os comentários, parece que o SPFC entraria em campo sozinho, jogando contra ele mesmo. A meu ver, depois de repetirem os mesmos erros de pelo menos seis meses, não se pode apenas arrumar culpados. Tem-se que corrigir esses erros! Tiveram uma semana para isso! Mas o que se viu, foram as repetições exaustivas dos mesmos erros de posicionamento, marcação, cobertura, excesso de individualismo, condução de bola, e dentro de campo a coisa não flui. Falta comando, estratégia e planejamento. Sim, tudo isso para jogar contra a Ponte? Sim! Esse é o futebol moderno. Apenas camisa e individualismo não ganham jogos, muito menos campeonatos. Técnicos como Leão são frutos da baderna do futebol brasileiro, onde um campeonato começa, e alguém tem que vencer. Muitas vezes, vence o melhor o time, ou o mais entrosado.

 Mas a maioria das vezes, vence a genialidade de alguns jogadores fora de série, que, periodicamente surgem e transformam a vida de um clube, de dirigentes, de técnicos e de um monte de barangas que carregam juntos. E tudo que estava errado é esquecido e jogado em baixo dos tapetes. Evidente que existem técnicos brilhantes. Técnicos que são capazes do infinito, capazes de fazer o medíocre ser respeitado e ter uma carreira promissora. Esses técnicos são inovadores, gênios, como os gênios dos mais brilhantes setores. Leão nunca inovou, nunca mostrou nada ao futebol. Foi sim, um excelente goleiro, e só. Teve chances de eternizar sua Obra, de entrar neste grupo seleto, mas preferiu o caminho da prepotência, arrogância, truculência, e acima de tudo, falsidade.

 Esse Leão que está aí, é o mesmo jogador dos anos 1970 e 80, é o mesmo técnico dos anos 1990 e 2000, sem evolução no que é seu negócio, o futebol. É aquele que gosta de resolver seus problemas, expondo outros e adora mais do que ninguém, pedir contratações e explodir polêmicas via imprensa. Sua carreira é rotulada ao acaso. A sua personalidade é falsa. Leão faz parte dos técnicos que assinam um bom contrato e ficam sobrevivendo ao cargo. Vangloria-se de que nunca pede demissão, como se isso fosse um mérito e não um desafio constante a quem paga, e muito bem, em dia, por seu serviço.

 Pior que escalar o Paulo Miranda, é anunciar previamente que o jogador “volta para seu lugar”. Lugar que ele, onipotente enxerga e mais ninguém. Perde o pouco de razão que talvez tivesse. Expõe e bate de frente com a diretoria, desrespeita a torcida e a instituição SPFC e chancela de vez sua arrogância, prepotência, falsidade e personalidade vingativa. Esse é o resumo do trabalho de 2012, nada diferente dos anos anteriores. Seu trabalho acabou no SPFC/12! O time pode ser campeão ainda da Copa do Brasil, por obra do acaso, do talento individual e superação dos jogadores.

 Tanto no Santos de 2002 com Diego, Elano, Renato e Robinho (que queria emprestar ao São Caetano), quanto no São Paulo De 2005 de Lugano, Josué, Mineiro, Ceni, Danilo, Leandro, Cicinho, Júnior, Luizão e Grafite, como com esse São Paulo de 2012 de Luís Fabiano, Lucas, Jadson, Cortez, Rodholfo, Casemiro e Cícero. Nenhum dos casos citados acima faltou material humano para o Leão. Porém ele apenas limitou-se a escalar, onipotente que é, aguardando como sempre, o acaso ... Como se fosse um privilegiado, um escolhido... Um Guardião do Acaso...


 Alexandre Camargo. @trihexale

0 comentários: